O que é possível fazer em seis meses?

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”
Jean Cocteau

Pintura em Toledo (PR)
Todo meu olhar para o Brasil

Há seis meses eu peguei minha mochila e deixei Florianópolis rumo a Porto Alegre. Era 01 de maio de 2014 e eu não fazia ideia do que encontraria pela frente. O sonho de viajar o Brasil de maneira independente, descobrindo e registrando a cena da cerveja artesanal no país, começava a se materializar. Já não tinha volta. Era ir ou ir. Mochila nas costas, um monte de ideias na cabeça e um turbilhão de sentimentos. Lembrei de Chico Science e dei o primeiro “passo à frente”. Alegria, medo, ansiedade, incerteza, tudo isso estava presente e eu tentava, em vão, controlar esses sentimentos.

Eu vou mesmo assim!
Eu vou mesmo assim!

Eu não tinha mais casa. Sem endereço fixo, me tornei um sem teto. Que alegria!!! Uma leveza sem tamanho. Nos próximos dias Porto Alegre seria minha casa, depois Gravataí, seguido por Novo Hamburgo, Ivoti, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, e assim por diante, passando por várias cidades. Comecei no Rio Grande do Sul, cruzei Santa Catarina e alcancei o Paraná. Eu morei, e me senti em casa, em cada uma das 39 cidades que passei até agora.

Por aí!!!
Por aí!!!

Nesses seis meses viajei de carona, me hospedei na casa de desconhecidos que se tornaram amigos. Arrumei e desarrumei a mochila como quem se acostuma a abrir a porta do guarda roupa para escolher a vestimenta do dia. Dormi em camas diferentes, algumas delas com mulheres diferentes. Bebi em muitos bares e conversei com todo tipo de gente.

Bebo sim, não nego. Mas só bebo o que é bom.
Bebo sim, não nego. Mas só bebo o que é bom.

Percorri 4 mil quilômetros viajando em caminhões, vans e nos mais diversos tipos de carros de passeio. Pedi carona pela internet, em postos de gasolina e muitas delas na beira da estrada. A estrada vicia.

Partiu Toledo?
Partiu Toledo?

Provei cervejas boas e cervejas ruins. Conheci pessoas interessantes, outras nem tanto. Visitei as Cataratas do Iguaçu, de dia e de noite, no lado brasileiro e no lado argentino. Passei pelo Canyon Guartelá. Fui ao Paraguai. Curti Florianópolis, e conheci cidadezinhas lindas como Treze Tílias.

Cataratas do Iguaçu
Cataratas do Iguaçu

Atirei de arco e flecha, joguei sinuca, falei espanhol e treinei meu francês enferrujado. Visitei a cervejaria artesanal mais antiga do Brasil em funcionamento e reencontrei amigos que não via há tempos.

Os animais fazem parte da viagem
Os animais fazem parte da viagem

Passei frio, passei calor, mas não passei fome.  Me apaixonei, mais de uma vez. Mas segui viagem. Senti saudades, muitas saudades, mas nunca me senti sozinho. Aprendi a curtir minha companhia.

Pagando de gaudério
Pagando de gaudério

Cozinhei para desconhecidos, também para conhecidos e me diverti muito. Fiz promessas de retorno e acreditei em cada uma delas. Sorri e recebi sorrisos. Acordei todos os dias e me senti feliz, afinal porque não estaria. Não me arrependi de nada, aliás, só um arrependimento até agora, mas esse deixa pra lá, coisa leve.

Até em capa de jornal eu saí nesses meses
Até em capa de jornal eu saí nesses meses

Descobri que posso fazer o que eu quiser, e que só depende de mim levar a vida que eu quero. Desenvolvi uma facilidade em me adaptar e me sentir bem aos lugares onde chego. Como eu disse antes, sempre me sinto em casa, independente de onde eu estiver. Ainda sou um cara ansioso, mas estou trabalhando nisso.

Carona para a DasBier em Gaspar (SC) com o Pulga
Carona para a DasBier em Gaspar (SC) com o Pulga

Ganhei presentes, dei presentes. Troquei experiências, li livros e aprendi muito mais do que ensinei. Fiz muita festa e tive ressacas, algumas bem pesadas. Mas de maneira geral, me controlei. Vivi coincidências e criei oportunidades. Ouvi muitas histórias e contei algumas outras. Percebi que tenho uma vida que muitos gostariam de ter, e agradeci por isso.

Canyon Guartelá
Canyon Guartelá

Nesses seis meses eu me dei conta que estou exatamente onde eu quero estar, fazendo exatamente o que quero fazer e vivendo a vida intensamente, um dia de cada vez, sem culpa alguma de ser feliz. José Saramago já dizia, “não tenhas pressa, mas não percas tempo”. Um sábio, esse velho portuga.

Cheguei em Maringá
Cheguei em Maringá

E a viagem continua. Tenho o restante do Brasil pela frente. Um país inteiro a descobrir e muita cerveja para provar, dure o tempo que durar. Um ano? Dois? Não importa, o importante é que o Viajante Cervejeiro está na estrada e continuará em busca dos bares cervejeiros onde a alegria e a cultura estão sempre presentes.

Salve os festivais de cerveja!!!
Salve os festivais de cerveja!!!

Hoje vou comemorar, é sexta-feira!!!
É dia de festa!!!

Saúde!

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Edson Carvalho

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Um viajante tão apaixonado por cervejas artesanais que rodou o Brasil inteiro atrás delas e agora dá dicas de onde encontrá-las.

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2 thoughts on “O que é possível fazer em seis meses?

  1. Edson ou Viajante Cervejeiro, descobri sua caminhada pelo face e achei fantástico lhe admiro muito pela coragem e destreza, você literalmente segue aquele ditado que a vida é para ser vivida! boa sorte na sua caminhada e no seu projeto de conhecer o Brasil… vai firme!

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