Não se preocupe, beerchatice é uma fase que passa!

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Quando você conhece algo novo e de cara se apaixona por aquilo, é natural se jogar de cabeça no assunto, estudar a fundo mesmo, pesquisar e mostrar para todos que aquilo é o seu novo amor, seu mais recente objeto de desejo. Com as cervejas acontece o mesmo. Ao descobrir que nesse mundão de meu deus existe muito mais do que aquela “cervejinha” amarelada e de pouco gosto, você enlouquece.

“Como não me disseram isso antes? Você já ouviu falar em Pale Ale? Que porra é isso de Porter? Tu Weiss?”

Pois é, existe um novo mundo a explorar, com muita informação fresca, como se acabasse de tirar do barril. A maioria dos seus amigos desconhece, mas você não, você abriu a porta e entrou. A cada dia, a cada gole, a excitação aumenta e torna-se tão grande que quando alguém te chama para tomar uma dessas cervejas “normais”, a sua vontade é de cortar a jugular desse sujeito e mostrar a ele com quem está falando. Você declara aos berros e cheio de si: “EU NÃO BEBO QUALQUER COISA”.

Você começa a se tornar um beer chato, ou cervejochato, ou um chato de galochas que toma boas cervejas, chato é tudo chato e pronto. Essa é uma fase crítica e diria até, importante para a formação de um bom cervejeiro. Nesse momento você acha que sabe tudo de cerveja e que o seu papel no mundo é apresentar à todos esse vale encantado até então escondido aos olhos e gargantas alheias. Você se torna um pastor querendo enfiar, a todo custo, as garrafas, das ditas “cervejas especiais”, goela abaixo no povo. Aqui você se defende, briga, espanta muita gente, mas ainda assim, é uma fase importante, porque é aqui, enquanto faz todas essas merdas, que você aprende mais sobre o mundo cervejeiro e sobre como apresentar este universo às outras pessoas.

Depois de um certo tempo, é natural (ou deveria ser), passar para a etapa seguinte. Nesse momento todos já sabem da sua preferência, e você já “converteu” muita gente que hoje te acompanha nos bares especializados e beer stores da vida. Você bateu muito a cabeça e viu que de nada adianta presentear com uma rauchbier o seu tio que tomou Antártica a vida inteira. Que não é porque a Weiss é mais frutada e refrescante que sua mãe vai adorar. E que amigo brahmeiro todo mundo tem, e ele sempre será um ótimo amigo, mesmo que continue na brahma a vida inteira.

Isso se chama amadurecimento. Você percebe que o que VOCÊ bebe é o que importa, e o que outros bebem, é de responsabilidade de cada um. Que as suas escolhas são importante e fazem sentido, única e exclusivamente, para você. Você incorpora a frase “a vida é muito curta para beber mal” e segue em frente.

A partir daí é só aprendizado e diversão. Os seus acabarão, hora ou outra, tomando curiosidade pelo seu mundo e pelas cervejas que você vem exibindo narcisamente no Instagram. É normal, e o processo é natural. No final você dá espaço para outros beer chatos ocuparem o seu lugar e o ciclo recomeça.

Eu já fui um tremendo de um beer chato, e você?

Cheers!!!

Edson Carvalho

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Um viajante tão apaixonado por cervejas artesanais que rodou o Brasil inteiro atrás delas e agora dá dicas de onde encontrá-las.

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6 thoughts on “Não se preocupe, beerchatice é uma fase que passa!

  1. Ótimo texto e é a pura verdade! Faço cerveja na casa dos meus pais que tem um quintal imenso. Minha mãe é portuguesa e grande apreciadora de vinhos, meu pai só bebe Cuba Libre, e por mais que faça estilos completamente diferentes e tenha esperança que ainda vá descobrir uma cerveja que agradará o paladar dos meus velhos, acabo por convencê-los, cada vez mais, de que eles realmente não gostam de cerveja. E não estou dando de exemplo o Zé do boteco, estou falando de quem me ensinou a beber bons vinhos e coquetéis. Não tem jeito… curta sua onda e respeite gostos alheios!

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