Visita à cervejaria Fuller’s

Hoje o convidado da seção Quem bebe bem indica! é o Pedro Cizoto, do blog Que não falte malte. Ele fez uma viagem ao Reino Unido, visitou a cervejaria Fullers e nos conta aqui como foi.

O texto foi publicado originalmente no blog Que não falte malte (link).

Visita à cervejaria Fuller’s

Com mais de 400 pubs espalhados pelo país e tradição notável, agendamos um tour na fábrica da londrina Fuller’s, situada às margens do rio Tâmisa, no simpático bairro de Chiswick.

Ao chegar ao imenso quarteirão ocupado pelas instalações da cervejaria um delicioso aroma de malte e pão pode ser percebido no ar. Surge a vontade de partir para um pint no bar da fábrica mas tarde demais, o tour já vai começar.

Fachada da Fullers e Pub da fábrica
Fachada da Fullers e Pub da fábrica

Nossa guia Jane nos leva até o portão principal e logo dispara uma pergunta que costuma ser no mínimo obscura na mão de algumas cervejarias: “Vocês sabem de onde vem nossa água?”. Como em um piloto-automático a plateia replica “das Highlands da Escócia; interior da Inglaterra; argh, só sei que não é de Londres (risos)”.

Com um sorriso no canto da boca ela rebate: “Utilizamos desde a década de 50 água de torneira em todas as nossas cervejas” [silêncio mortal na plateia]. Enquanto a maioria das mandíbulas se arrastavam no chão, a guia explicou como é possível nos dias atuais – a um custo relativamente baixo – tratar a água da rede para chegar as condições ideais de cada estilo. Neste ponto da conversa, já estava realmente satisfeito de estar ali.

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A guia passou então a comentar sobre uma série de cuidados e benefícios à saúde que a cerveja pode trazer, quando consumida em moderação. Segundo ela, moderação significa 10 pints/semana para homens e 8 pints/semana para mulheres com uma pausa de pelo menos 2 dias para o fígado descansar.

Na antiga sala de brassagem, Jane nos contou de um antigo sistema de recompensas adotado pela cervejaria: “Quanto mais complexa e importante sua função, maior era a “recompensa”. Por exemplo, o responsável pela mostura – cozimento do malte em água aquecida para extrair cor, sabor, aroma e açúcares fermentescíveis no mosto – tinha direito a 10 pints por dia”. E lá se vai a teoria da “moderação” que ela comentou no início do tour.

Antigo tanque de mosturação feito de cobre
Antigo tanque de mosturação feito de cobre

Passamos então por um antigo moinho de cereais e uma breve explicação sobre diferentes tipos de malte e níveis de torrefação.

Ao entrarmos na sala do lúpulo, o aroma ligeiramente azedo de fermento da sala anterior deu lugar ao um delicioso aroma de grama recém-cortada, terra molhada e feno. Acho que nunca tinha visto tanto lúpulo reunido em um só lugar. Além das tradicionais variedades inglesas, a Fuller’s utiliza também lúpulo dos EUA, Austrália, Nova Zelândia e República Tcheca em suas cervejas. Fiquei imaginando como seria se a sala da minha casa tivesse aquele cheiro…bom, vamos seguir.

Lúpulo em flor adicionado em algumas receitas
Lúpulo em flor adicionado em algumas receitas

A próxima etapa consiste em conhecer as modernas salas de mosturação e fervura onde foi possível acompanhar a clarificação de uma Honey Dew e uma London Pride (Foto)

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Chegamos então a um antigo fermentador aberto de cobre para uma breve aula sobre leveduras. “No caso de cervejas da família ale, as leveduras são responsáveis por grande parte do aroma e sabor das cervejas”, alertou Jane.

Ao final da fermentação, a levedura que fica no topo do tanque é escumada e pode ser inoculada (adicionada ao mosto) até 12 vezes em novas levas. “Depois disso, elas ficam digamos, ‘cansadas’ e são substituídas para outras levas mais novas e famintas”. A guia comentou também como o tempo de maturação pode alterar o tempo do total de produção. Enquanto uma London Pride está pronta para as torneiras em 3 semanas, uma Vintage Ale (Old Ale) leva 9 meses para literalmente “nascer”.

A Fuller’s possui sua cepa própria e exclusiva de leveduras guardadas a sete chaves no National Yeast Gallery, um imenso banco de leveduras Inglês que, em caso de alguma eventualidade ou acidente consegue repor o estoque em poucas horas.

Seguimos rapidamente pela área de envase que vai definir o destino destas cervejas: Casks ou garrafas.

Para manter a qualidade do produto, as cervejas em Cask após abertas devem ser consumidas em até 3 dias. Já as versões em garrafa passam por pasteurização e duram em média um ano.

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O tour finaliza com uma degustação da maioria das cervejas Fuller’s, tanto sazonais quanto as de linha. Um dos turistas – provavelmente americano – curiosamente colocou um copo de Chiswick Ordinary Bitter contra a luz e lançou “humm, esta parece uma (famosa cerveja americana de massa)”. [silêncio e tensão na plateia]. A guia carinhosamente replicou: “Bem, só espero que o gosto seja melhor!”

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Passeio incrível e cheio de informações bacanas!

Serviço
Seg-Sex: 11h, 12h, 13h, 14h e 15h.
Entrada Degustação Adulto: 10 Libras
Entrada Degustação Vintage Adulto (dá direito a uma garrafa de Vintage Ale no final): 15 libras
Reservas apenas pelo site clicando aqui, ou pelo telefone +44 (0)20 8996 2063.

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Conhece algum lugar legal com boas cervejas? Visitou uma cervejaria e gostaria de compartilhar? Viajou e foi em bares cervejeiros que todos deveriam conhecer?
Mande seu relato para contato@viajantecervejeiro.com.br.
As melhores histórias serão publicados na seção Quem bebe bem indica!
Cheers!

Edson Carvalho

About

Um viajante tão apaixonado por cervejas artesanais que rodou o Brasil inteiro atrás delas e agora dá dicas de onde encontrá-las.

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